Colocavas-me às cavalitas, propositadamente, para que tivesse uma nova perspectiva do mundo.
Construiste-me os melhores brinquedos que tive e quando te perguntei porque não os compravas, disseste-me que os sonhos não se vendem, constroem-se.
Não entendia bem os teus hábitos. Aquele relógio velho, do tempo da guerra, o jornal e a bica cheia. Mas depois percebi, que o prazer da vida, está nas pequenas coisas.
Tal como o hábito de dormir a sesta, após uma manhã de brincadeira. Eu sei, é o descanso que guarda as memórias.
E com elas te recordo, recordando também a tua última frase - O tempo, não é sempre generoso. E levou-te. Para aquele lugar onde te deixaste descansar.
Sabes o que desejei, avô? Que aquele hospital não fosse a tua última casa, porque ainda tinha muito para aprender.
Que abrisses os olhos e me visses assim, com tanto de ti.
Hoje, bastou um minuto, apenas isso, para me voltares a ensinar algo - que um homem também chora.
Se soubesse que aquele era a tua última tarde, tudo teria sido diferente.'
/Mattos
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