quinta-feira, 13 de junho de 2013

Monotonia

Aqui estou eu, mais uma vez sentada, olhando para a janela do meu quarto à espera que lá fora, alguém se atreva a sair de sua casa. Olho para a chuva que cai pelo chão da minha rua e que a percorre como um rio interminável.
Sentada e quieta, me aproximo cada vez mais da janela, com aquele ar curioso de saber o que o vizinho da frente andou a dizer á mulher para ela ter aquela cara tão triste. O que andou o cão a fazer por ter aquele ar matreiro mas ao mesmo tempo tenurento.
Limpei todas as vezes que o vidro ficava embaciado e em cada vez que repetia tal gesto, pensava para mim mesma: "O que estou eu a fazer?, Eu não sou assim, não sou interesseira mesquinha... NÃO" Sou apenas eu, alguém que por vezes tem receio de dizer seja o que for para não ser rebaixada ou insultada.
Fui embora, com vergonha que de repente, por detrás dos arbustos aparecesse alguém com um olhar a fixar no meu. 
Deitei-me em cima da cama de barriga para cima, à espera de receber uma mensagem e nada. Ninguém queria saber de mim. Nem um simples "olá" ou um simples "tudo bem". Nada.
Voltei de novo para junto da janela, mas desta vez para reflectir. Será que estava sozinha neste mundo, será que não tenho importância para ninguém?
Chorei ao relembrar-me de cada pessoa que se foi embora da minha vida e que era importante para mim.
Chorei sem razão nenhuma. Quem vai, não volta. Se fossem assim tão importantes tinham ficado.
Muitas pessoas me desiludiram mas eu segui em frente, sem olhar para trás. Sempre com aquele sorriso estúpido estampado na minha cara. 
Queres que te diga o porque?
Porque se não vivermos assim a vida, nada do que está á nossa volta tem um sentido.
Sorri, para todos aqueles que cagam para ti.
Aponta o dedo á injustiça.
Levanta a voz, cada vez que é necessário. Cada vez que tens razoes para tal coisa.

Voltei a sair da janela, mas desta vez fui para a rua. Cheiras as rosas que a minha mãe plantou, rebolei na relva, corri no meio da estrada...
Nesse momento senti-me livre

BJS*




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